3.
Se você visse a aldeia saxã à distância e a certa altura, ela teria lhe parecido mais familiar como “aldeia” do que o abrigo de Axl e Beatrice. Por uma razão: não havia nenhuma escavação colina adentro, talvez porque os saxões tivessem um senso mais aguçado de claustrofobia. Se estivesse descendo a encosta íngreme do vale, como Axl e Beatrice estavam fazendo naquele fim de tarde, você veria lá embaixo cerca de quarenta casas independentes, dispostas no fundo do vale em dois círculos irregulares, um dentro do outro. Talvez estivesse longe demais para notar as variações de tamanho e de luxo entre elas, mas teria visto os telhados de colmo e percebido que muitas delas eram casas redondas não muito diferentes do tipo de casa em que alguns de vocês, ou talvez seus pais, cresceram. E se sacrificavam de bom grado um pouco de segurança em troca dos benefícios do ar livre, os saxões tinham o cuidado de compensar isso: uma cerca alta, feita de mastros de madeira amarrados uns aos outros e pontiagudos como lápis gigantes, circundava a aldeia inteira. Em qualquer ponto, a cerca tinha pelo menos o dobro da altura de um homem e, para tornar a ideia de escalá-la ainda menos tentadora, um fosso profundo acompanhava todo o contorno da cerca pelo lado de fora.
Essa seria a imagem que Axl e Beatrice veriam logo abaixo quando pararam para recuperar o fôlego, enquanto desciam a encosta. O sol agora estava se pondo sobre o vale, e Beatrice, que enxergava melhor, estava mais uma vez se inclinando para a frente, um ou dois passos adiante de Axl, o capim e os dentes-de-leão ao seu redor batendo em sua cintura.
“Eu estou vendo quatro, não, cinco homens guardando o portão”, ela disse. “E acho que eles estão armados com lanças. Quando estive aqui pela última vez com as mulheres, era só um guarda com um par de cães.”